Venho pedir licença aos desinteressados, pois hoje, porei minhas
palavras completamente nuas. Não têm sido difícil, elas já não
fazem questão de embrulharem-se formando traços em minhas linhas,
as pego em meio ao sono, ao desalento, passam sem deixar rabiscos,
em silêncio.
Então, atrevo-me a despir-me junto a elas pra não haja
empecilhos em nossa junção. O frio pode dar-nos a tão buscada
explicação; que frio é esse que congelou minha emoção?
Perguntaram-me sobre o amor, a onde está o meu amor?
A música favorita, a meiga senhorita que desenha seu jeito em
sua escrita?
Está cansada, triste, exausta.
Às vezes com medo, mas é tão forte.
Tão forte como uma porcelana, deixe-a no seu canto.
Não a deixe correr o risco de perder o encanto.
Perdeu a fé quando temeu os homens em nome de Deus, se perdeu de
Deus para escapar dos homens, reencontrou-se com Deus ao ver seus
homens decaídos, outros homens, mas, os mesmos do mundo que por
Deus é divino.
O frio também trás o amor. Foi assim que me encontrou.
Quando me despi a ti. Quando se pôs culto o oculto.
Quando escrevi.
Tenho corrido tanto, não mais fugindo. Estou lutando, uma guerra
com tudo. “O mundo da voltas e em meio a tantas voltas o
mundo muda”. Eu mudo junto.
Quando eu me vestir, quero estar pronta pra isso: coberta por
letras, diante uma mesa, em meio a multidão de livros e ouvidos
sensitivos.
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